Quando falamos em bruxaria, falamos sobre a sabedoria antiga de lidar com as forças da natureza, com os elementos, com os espíritos e com os mistérios que regem o universo. Bruxaria é o poder de se reconectar com o sagrado através da terra, do fogo, da água, do ar e do espírito.
É a ciência espiritual dos nossos ancestrais, mulheres e homens que sabiam conversar com a natureza e com o invisível.
O culto de Ifá e o culto aos Orixás são expressões dessa mesma sabedoria.
São caminhos espirituais ancestrais que guardam o conhecimento da criação e o equilíbrio entre o humano e o divino.
Em Ifá, através de Orunmilá, aprendemos o destino, o odu, o equilíbrio da vida e da morte, da sombra e da luz.
Nos cultos aos Orixás, honramos as forças vivas da natureza.
Cada Orixá é uma potência natural e espiritual, um portal que liga o visível ao invisível.
Assim como as antigas bruxas, os sacerdotes e sacerdotisas de Ifá e dos Orixás trabalham com ervas, elementos, oferendas, ciclos lunares, cantos, invocações e encantamentos.
A diferença está apenas na linguagem e na origem cultural, mas a essência é a mesma: a bruxaria é o culto à vida, à ancestralidade e à natureza sagrada.
Por isso, dizer que o culto de Ifá e o culto aos Orixás são formas de bruxaria é reconhecer que nossa espiritualidade africana é também magia ancestral viva, poderosa, intuitiva e profundamente conectada à terra e ao mistério.
Texto: Pamela Ferreira ( Ifádade )
